Como buscar até +70% de ganho em títulos IPCA longos

Nos últimos meses, muita gente tem repetido a mesma frase:

“Com juros altos, renda fixa está ótima, não preciso me mexer.”

Só que, por trás dos números, está se formando um cenário bem diferente:
os juros futuros de longo prazo seguem em níveis muito altos, enquanto:

  • o Relatório Focus já projeta inflação controlada e queda de juros, e
  • a ata mais recente do Copom vem sendo interpretada pelo mercado como um sinal claro de início de ciclo de cortes da Selic.

Quando juntamos tudo isso, surge uma janela rara de oportunidade nos títulos públicos atrelados ao IPCA com vencimento muito longo, como um Tesouro IPCA+ 2050 (NTN‑B longa).

A seguir, explico em linguagem simples:

  • por que esses títulos podem ter um potencial de valorização espetacular,
  • quais são os cálculos que fizemos,
  • o que dizem o Focus e a ata do Copom,
  • e para quem essa estratégia faz sentido.

 

O pano de fundo: Focus mostra inflação comportada e juros em queda

O Relatório Focus de 23 de janeiro de 2026, divulgado pelo Banco Central, resume o que o mercado espera para os próximos anos.

Alguns pontos-chave (mediana das projeções):

  • Inflação (IPCA – variação anual)
    • 2026: 4,00%
    • 2027: 3,80%
    • 2028: 3,50%
    • 2029: 3,50%
  • Selic (taxa básica – fim de ano)
    • 2026: 12,25%
    • 2027: 10,50%
    • 2028: 10,00%
    • 2029: 9,50%

Em resumo:

O mercado enxerga inflação voltando para perto da meta e queda gradual da Selic ao longo dos próximos anos.

Ao mesmo tempo, na curva de juros futuros, as taxas usadas hoje para precificar títulos IPCA muito longos ainda estão bastante elevadas. No nosso exemplo, consideramos:

  • aproximadamente 13,5% ao ano como taxa de juros futuros de longo prazo embutida na precificação desse título.

Ou seja, o mercado está remunerando o investidor com juros futuros muito altos nesses vértices longos, mesmo enquanto o próprio Focus projeta um cenário de normalização de inflação e juros.

 

A ata do Copom e o início do ciclo de queda da Selic

A leitura recente da ata do Copom reforçou esse cenário. Nas últimas reuniões, o Banco Central:

  • reconheceu a desaceleração da atividade econômica em alguns setores,
  • reiterou a trajetória benigna da inflação projetada – muito próxima dos números que vemos no Focus,
  • e passou a sinalizar, com mais clareza, que o próximo passo da política monetária tende a ser o início do ciclo de cortes da Selic, caso o cenário continue se confirmando.

O mercado interpretou essa ata como um divisor de águas:

De um lado, o período de Selic em patamar extremamente alto;
do outro, o começo de um movimento de afrouxamento gradual dos juros.

Quando o BC dá esse tipo de sinal, a primeira peça a se mexer é justamente a curva de juros futuros – que antecipa os cortes antes deles acontecerem de fato.
É exatamente essa antevisão, combinada com os níveis ainda muito altos de juros futuros longos, que cria a oportunidade nos títulos IPCA de prazo mais distante.

 

Onde entra o título IPCA longo

Os títulos públicos atrelados ao IPCA com vencimento longo (como um Tesouro IPCA+ 2050) têm duas características essenciais:

  1. Protegem o poder de compra
    • Pagam IPCA + uma taxa real travada na compra.
    • A ideia é simples: sua renda cresce acima da inflação no longo prazo.
  2. São muito sensíveis à queda dos juros futuros
    • Quando as taxas de juros futuros caem, o preço de mercado (PU) desses títulos sobe.
    • Quanto mais distante o vencimento, maior essa movimentação.

Ao investir hoje em um IPCA longo, você está travando agora os juros futuros altos que o mercado está oferecendo.
Se, com a trajetória de inflação, Focus e Copom, o mercado passar a exigir juros menores para esse mesmo prazo, o título que você comprou antes tende a valorização relevante no preço.

 

Nosso cálculo: de juros futuros de 13,5% para 11%

Vamos colocar números nessa história.

Premissas do exemplo

  • Título IPCA com vencimento em 2050 (aprox. 24 anos de prazo, tomando 2026 como base).
  • Taxa de juros futuros hoje: adotamos 13,5% ao ano para esse vértice longo da curva.
  • Com essa taxa, o preço de mercado do título hoje (PU) é de:
    • R$ 4.397,67

Agora, suponha que, com:

  • inflação confirmando o cenário do Focus, e
  • o Copom avançando no ciclo de cortes da Selic,

o mercado passe a precificar esse mesmo título com juros futuros menores, por exemplo:

  • de 13,5% para 11% ao ano.

O que acontece com o preço do título?

Refazendo a conta de valor presente com juros futuros de 11%:

  • PU hoje (juros futuros de 13,5%): R$ 4.397,67
  • PU com juros futuros de 11%: aproximadamente R$ 7.550,00

Isso representa:

  • Ganho em reais: cerca de R$ 3.150,00 por título
  • Ganho percentual: por volta de +72%

Esse +72% é o efeito puro da:

queda da taxa de juros futuros de 13,5% para 11% na marcação a mercado do título.

Lembrando: ainda não estamos somando a correção pelo IPCA e os próprios juros reais que o título paga até o vencimento. Estamos isolando apenas o impacto da mudança na curva de juros futuros.

 

O gráfico de sensibilidade: enxergando a alavanca dos prazos longos

O gráfico de “Análise de Sensibilidade Tesouro Renda+” ajuda a visualizar essa dinâmica:

  • No eixo horizontal: a taxa de juros real (IPCA + x%), que aqui podemos ler como juros futuros reais.
  • No eixo vertical: a variação percentual do preço (PU).
  • Cada linha representa um vencimento diferente do Tesouro Renda+.

 

 

CDN media

 

O que se destaca:

  • As linhas dos títulos com vencimentos mais longos (como 2055, próximo de um IPCA 2050) são bem mais inclinadas.
  • Isso mostra que uma queda de alguns pontos percentuais na taxa de juros futuros gera uma alta muito maior no preço desses títulos – em alguns casos, chegando a valorizações superiores a 100%.

Nosso exemplo de cerca de +72% de valorização, saindo de juros futuros de 13,5% para 11%, está completamente alinhado com essa sensibilidade mostrada no gráfico.

 

Como Focus + ata do Copom sustentam a tese

Juntando as peças:

  • O Focus projeta:
    • IPCA estável entre 3,5% e 4,0%;
    • Selic em queda, chegando a 9,5% no horizonte de 3–4 anos.
  • A ata do Copom reforça:
    • percepção de inflação sob controle,
    • avaliação de que a taxa de juros atual é altamente contracionista,
    • e sinalização de que, mantidas as condições, o próximo movimento tende a ser início de corte da Selic.

Em um cenário assim:

  • manter juros futuros de 13,5% para prazos longos parece um exagero de pessimismo.
  • à medida que o ciclo de cortes avançar e a inflação se comportar, a tendência é que esses juros futuros converjam para patamares mais baixos, como os 11% usados no nosso exemplo (ou até menos).

É justamente nessa convergência que mora a oportunidade:

Quem se posiciona hoje em títulos IPCA longos, travando juros futuros ainda muito altos, pode capturar o movimento de valorização de preço quando a curva de juros se ajustar ao novo ambiente de Selic em queda e inflação mais comportada.

 

Para quem essa estratégia é (e para quem não é)

Aqui entra a parte mais importante da conversa com o investidor: perfil e horizonte.

Essa oportunidade é adequada para quem:

  • Entende que haverá volatilidade no meio do caminho
    • O preço dos títulos pode oscilar bastante conforme mudam as expectativas sobre Selic e juros futuros.
  • Pode deixar o dinheiro aplicado por pelo menos 1 ano, idealmente por alguns anos.
  • Vê essa posição como parte da estratégia de longo prazo, não como aposta de curto prazo.

Não é adequada para quem:

  • Pode precisar do dinheiro em breve;
  • Fica muito desconfortável com oscilações de preço;
  • Busca apenas aplicações extremamente estáveis no curtíssimo prazo.

Em termos diretos:

O recurso alocado nessa estratégia deve ser somente aquele que o investidor não pretende usar no prazo mínimo de um ano, inserido na parcela de longo prazo da carteira.

 

Por que falamos em “janela rara de oportunidade”

Reunindo tudo:

  1. Juros futuros longos hoje ainda em torno de 13,5% ao ano em alguns vértices – nível muito elevado.
  2. Relatório Focus apontando:
    • inflação convergindo para 3,5%–4,0%,
    • Selic recuando para 9,5% no horizonte de alguns anos.
  3. Ata do Copom reforçando o discurso de que estamos próximos do início de um ciclo de cortes da Selic.
  4. Títulos IPCA longos que:
    • protegem contra a inflação,
    • e podem ter grande valorização de preço quando os juros futuros caem.

Dentro desse contexto, nossos cálculos mostram que:

  • A queda de juros futuros de 13,5% para 11% pode gerar cerca de +72% de valorização no preço de um título IPCA 2050,
  • além da correção pelo IPCA e dos juros que o investidor receberá ao longo do tempo.

Por isso entendemos que:

Estamos diante de uma janela rara de oportunidade para transformar os juros futuros altíssimos de hoje em um potencial relevante de aumento de patrimônio no longo prazo, especialmente para quem consegue atravessar a volatilidade do meio do caminho.

Em vez de apenas comemorar os juros altos atuais, a proposta é dar um passo à frente:

Aproveitar o início do ciclo de queda da Selic, ainda com juros futuros longos muito elevados, para travar agora condições que podem se mostrar excepcionais quando olharmos para trás daqui a alguns anos.

 

É hora de entrar em AÇÃO!

 

Rocpáurio Santos é Analista CNPI-T Apimec, Assesor de investimentos Ancord e Diretor Executivo da Frades Investimentos. Escreve semanalmente uma coluna de análise no porta Investing.com

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