Quando se fala em renda fixa, a frase do momento é:
“Com juros altos, é bom deixar o dinheiro parado em títulos conservadores.”
Só que tem um detalhe que quase ninguém está explorando:
os juros futuros – aqueles que o mercado usa para precificar os títulos de longo prazo – hoje embutem, em alguns vértices reais longos, algo em torno de 13,5% ao ano.
Isso não é a Selic atual e nem “juro real contratado oficial”; é a taxa de juros futuros que o mercado está usando hoje para precificar um título IPCA muito longo.
E é justamente aí que aparece uma janela rara de oportunidade em títulos públicos atrelados ao IPCA com vencimento distante, como um Tesouro IPCA+ 2050 (NTN‑B longa).
Neste artigo, vamos mostrar em linguagem simples:
O Relatório Focus de 23 de janeiro de 2026, divulgado pelo Banco Central, reúne as expectativas de mercado para inflação, juros, câmbio etc.
Alguns números importantes (mediana das projeções):
Em português bem direto:
O mercado projeta inflação perto da meta e queda gradual da Selic ao longo dos próximos anos.
Ao mesmo tempo, na curva de juros futuros, as taxas usadas hoje para precificar títulos IPCA de prazo muito longo ainda estão em um patamar elevado – no nosso exemplo, estamos usando um vértice real de aproximadamente 13,5% ao ano como referência de juros futuros de longo prazo.
Ou seja:
Esse descompasso é exatamente o que cria a oportunidade.
Os títulos públicos atrelados ao IPCA com vencimento muito distante (como um Tesouro IPCA+ 2050, da família das NTN‑B) têm duas características essenciais:
Ao comprar hoje um título IPCA longo, o investidor está, na prática, travando a taxa dos juros futuros que o mercado está oferecendo nesse prazo.
Se, no futuro, o mercado passar a exigir juros menores para esse mesmo prazo, o título comprado antes tende a valorizar no preço.
Vamos ilustrar com um exemplo numérico simples, em cima de um título IPCA com vencimento em 2050.
Agora, imagine um cenário em que, ao longo do tempo, o mercado revisa sua visão e passa a precificar esse mesmo título com:
Ou seja, o mercado passa a exigir menos retorno para aquele prazo, porque o ambiente de inflação e juros já está mais normalizado.
Refazendo o valor presente desse título com base nessa nova taxa de juros futuros de 11%, chegamos a:
Aproximadamente:
Esse aproximadamente +72% é o efeito puro da:
queda da taxa de juros futuros de 13,5% para 11% na marcação a mercado do título.
Ainda não estamos somando:
O Focus está nos dizendo:
Em um ambiente assim:
Não é razoável imaginar, por muitos anos, juros futuros tão altos quanto os 13,5% que o mercado hoje embute em certos prazos longos.
A tendência natural, se o cenário do Focus se confirmar, é:
E, quando isso acontece, os títulos que você comprou lá atrás – com juros futuros de 13,5% travados – se tornam mais valiosos.
Resultado: o preço (PU) sobe, gerando ganho de marcação a mercado.
Em resumo:
A taxa de 13,5% e os 11% que usamos não são “juros reais fixos do Tesouro”, e sim taxas de juros futuros que o mercado está usando para precificar o título hoje e em um cenário à frente.
Se essas taxas de juros futuros caírem, o preço do título tende a subir – e é daí que vem o potencial de valorização.
O gráfico de “Análise de Sensibilidade Tesouro Renda+” ajuda a visualizar essa lógica:

As linhas dos títulos com vencimento mais longo (como 2050/2055) são bem mais inclinadas. Isso significa:
Nos cenários mostrados no gráfico, alguns prazos longos chegam a apresentar valorizações acima de 100% quando os juros futuros caem de patamares muito altos para níveis mais normais.
Nosso número de cerca de +72%, saindo de juros futuros de 13,5% para juros futuros de 11%, está totalmente alinhado com esse comportamento.
Aqui é onde entra a adequação ao perfil do investidor.
Essa estratégia faz sentido para quem:
Não é indicada para quem:
Em termos diretos:
O recurso destinado a essa estratégia deve ser apenas aquele que o investidor não pretende usar no prazo mínimo de um ano, e que faz parte da parcela de longo prazo da carteira.
Coloque tudo na mesma mesa:
Não é comum ver:
Dentro desse contexto, nossos cálculos mostram que:
Por isso dizemos que:
Estamos diante de uma janela rara de oportunidade para quem quer usar os juros futuros altíssimos de hoje como ponto de partida para multiplicar o patrimônio no longo prazo.
Não se trata de “adivinhar o futuro”, e sim de:
Em vez de apenas se refugiar nos juros altos, a ideia é clara:
Travá‑los hoje, enquanto estão elevados, e capturar o potencial de valorização quando os juros futuros convergirem para níveis mais baixos.
É hora de entrar em AÇÃO!
Rocpáurio Santos é Analista CNPI-T Apimec, Assesor de investimentos Ancord e Diretor Executivo da Frades Investimentos. Escreve semanalmente uma coluna de análise no porta Investing.com
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